Um palco chamado Vida!


O chão está frio demais, as luzes apontam na minha direcção, ouço a melodia que acompanha e não consigo reagir, estagnei, nesta peça onde desempenho o papel de mim mesma, da minha vida, estou a deixa-la desvanecer… o meu publico avalia o momento e espera um monologo ou simplesmente pensa que estou em freeze, mas na realidade, estou a morrer por dentro, já não sei o que dizer ou fazer, volto a pensar: estagnei!

Qual o poder desta personagem que surgiu como figurante, apenas passageiro e parece ter saltado para um lugar acima do meu? Lutou? Trabalhou? Não sei! Quando me apercebi estava demasiado perto de mim, já era demasiado de mim e ocupava o lugar no pódio que eu julgara dominar sozinha e fez-me dependente da luz que emanava. Preencho-me de perguntas retóricas e lágrimas que me fazem exasperar um pouco mais e, imóvel no centro de tudo, sem conseguir ter qualquer reacção!

Subitamente, surge o teu rosto no meu pensamento e concebo uma balança imaginaria, onde peso os teus piores e melhores momentos nos actos e cenas desta peça que está à deriva. Os pratos não param, balançam e balançam vagarosamente, tanto de um lado, como para o outro que quase me antevejo a hipnotizar!

Fecho os olhos numa procura sem sentido de descanso e o solto mais um pouco destas gotas de água que me estimulam a procurar uma reacção, que não encontro... Baixo a cabeça num sinal de vergonha de mim, e culpo o Eros desmedido que surgiu entre nós, e a tua capacidade em me fazer levitar e, agora, sentir no fundo de um poço que me torna muda! Ainda te sinto demasiado, ainda tenho o hábito de me completares falas e me acompanhares nas tuas breves mas fortes aparições! Encarava o desenrolar como só meu, e autorizar-te a entrar nunca me fez estimar que poderias tomar tudo de mim, incluindo Eu, tudo o que de puro e inocente havia em mim! Gostei demasiado do que me deste, esse fruto proibido que me alimentou e envenenou os desejos. Venceste, errei, usufruíste dos meus erros e partiste para um lugar onde não te vejo. Ausentaste-te deste palco, deste cenário, desta mulher, desta personagem que se sente baquear!

Ouço a música ao fundo dos meus pensamentos...O meu pensamento vociferou… Sempre me disseram que se encontrasse um problema em palco para o resolver sem que o público se apercebesse, mas perdi-te, não sei se isso tem solução, embora tivesse curiosidade em saber!

Vou limpar as lágrimas, vou fazer um dos meus maravilhosos monólogos sobre partidas e tentar salvar este momento, é isto que todos esperam, é isto que me pedem ,que ande em frente e que não julgue nada perdido, embora eu já saiba que está! Vou retomar o meu lugar de personagem principal e fazê-los esquecer-te, voltarem a amar-me e aplaudirem-me de pé no final de todos os meus espectáculos diários, elogiando e voltando para ver o que de novo surge!

Mas, e eu? Será que eu alguma vez irei esquecer o que foste? Não sei, mas espero esquecer , esquecendo-te!

2 passageiros:

CristianaC disse...

Se calhar vivemos demasiado tempo fazendo da vida um palco, onde temos de ser perfeitos e não podemos errar. Absorvemos em nós um alguém que desconhecemos apenas para enfrentar um publico que espera demais de nós, e para conquistarmos quem queremos ao pé de nós.
Mas no fim acabamos por falhar, não fomos quem somos e tudo foge de nós no fim. As luzes apagam-se, a euforia de sermos as estrelas daquele palco acaba-se, a glória desvanece. Perdemos muito da vida porque sempre quisemos ser o Rei/Rainha...Afinal não somos ninguém...E no fim da vida acabamos sós e não vale a pena esquecer nada porque existem lembranças que sempre nos assombraram.
A verdade é que se queremos sempre aquele alguém perto de nós temos de esquecer a excentricidade e apenas dar amor. Antes que seja tarde demais, e o tarde pode ser já amanhã.
Beijo <3

Phoenix disse...

Há que sermos nós próprios e ter o cuidado de não pôr simplesmente uma máscara só por ser mais fácil...Esquecer? Nunca se esquece totalmente, mas aos poucos isso acontece, até deixar de doer =)**